quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Cinema Paraíso: Sara Resende - Bandas Sonoras

Muito depois de sairmos dos cinemas, se a banda sonora for boa, vamos ficar com ela na cabeça. Quem nunca começou a cantarolar do nada a marcha imperial do Star Wars? E o tema do Indiana Jones? E do Batman? E quantos de nós não ficamos com a voz do Ryan Gosling presa na cabeça “City of staaaaaaars” depois do La La Land?

O cinema não é só apenas o que se passa no ecrã, é toda uma experiência sensorial para apreciar.  A banda sonora é um elemento essencial em qualquer filme, está ali para criar o ritmo e influenciar o estado de humor da plateia. Quantos de nós não nos sentimos tristes no final de Interstellar? Ou irrequietos quando todos os edifícios começaram a cair no Inception? A banda sonora está lá para sublinhar todos os momentos importantes no filme. Se a cena mostrar algo grandioso a acontecer, os responsáveis da banda sonora vão “colar” melodias épicas e efeitos sonoros (como na batalha final do filme Thor Ragnarok).

Às vezes nem reparamos na banda sonora. Afinal, alguém se lembra daquela música que tocava no fundo quando Mia e Vicent estavam a jantar no filme Pulp Fiction? Para Tarantino a banda sonora é tão importante como as imagens que passam: “One of the things I do when I am starting a movie, when I’m writing a movie or when I have an idea for a film is, I go through my record collection and just start playing songs, trying to find the personality of the movie, find the spirit of the movie. Then, 'boom,' eventually I’ll hit one, two or three songs, or one song in particular, 'Oh, this will be a great opening credit song”. 

Em suma, uma banda sonora bem escolhida faz toda a diferença num filme e por isso, aqui estão algumas das minhas bandas sonoras/músicas de filmes favoritas que podem juntar às vossas playlists! PS: A ordem é completamente aleatória.

Baby Driver (2017)
Este filme com o promissor Ansel Elgort foi para mim um dos melhores filmes de 2017! E por isso, não deve ganhar nada nos Oscars… Mas podem sempre ouvir as músicas do Baby no carro e fingir que são motoristas de fuga.

Interstellar (2014)
A banda sonora de Hans Zimmer fica sempre no ouvido. Nem que seja por algumas melodias deste filme parecerem que ele adormeceu no órgão e depois acordou “olha pronto, agora fica assim”. 

Inception (2010)
Mais uma boa criação de Hans Zimmer. Gosto muito de ouvir a faixa Dream is Collapsing.

La La Land (2016)
Calma haters… Podem dizer o que quiserem do filme, que é overrated, que não merecia tantos Oscars, que o Gosling canta mal… Sou obrigada a concordar com esta última pelo menos, mas a banda sonora é incrível na mesma. Para ouvir quando precisam de ficar mais bem-dispostos.

Requiem for a Dream (2000)
Vamos todos apreciar o quão mágico é Winter: Lux Aeterna. 

Wonder Woman (2016)
Esta banda sonora ficou-me dias na cabeça. Destaque aqui para a faixa épica Wonder Woman’s Wrath.

Harry Potter and the Sorcerer’s Stone (2001)
Tinha que incluir este filme aqui, não só pela fantástica banda sonora, como pelas boas recordações de infância que toda a saga me traz. Este filme foi o primeiro filme que me lembro de ver no cinema e foi a partir daí que passei a interessar-me pela 7ª arte. Obrigada JK Rowling!

The Darjeeling Limited (2012)
Não fosse Wes Anderson o Rei do cinema para mim. Tanto a banda sonora como o filme são muito especiais e um “must listen/watch”. Eu sei que têm de levar com os narizes do Owen Wilson e do Adrien Brody grande parte do filme, mas há que fazer sacrificios. 

Guardians of the Galaxy Awesome Mix I and II (2014 e 2017)
Outra banda sonora para “light up the mood”.

The Pianist (2002)
A banda sonora que podem pôr a tocar quando têm mesmo de trabalhar (até rimei).  Muito light e impede outras distracções.

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (2001)
Aquela banda sonora que transpira a Paris. Destaque aqui para Comptine d`un autre ete - l`apres-midi de Yann Tiersen. 

Batman Trilogy 
Sponsored by Hans Zimmer and James Newton Howard.

Lord of the rings Trilogy
Uma banda sonora muito diversificada criada por Howard Shore para exibir o amplo universo de criaturas e magia que é o Senhor dos Anéis. Gosto especialmente de ouvir os coros na faixa Minas Tirith. 

Mystery of Love de Sufjan Stevens. Da banda Sonora Call me by your name (2017)
Não adorei propriamente a banda sonora, mas esta faixa é linda. Público feminino, tomem lá a música ideal para vossos dates. De nada. 

Whiplash (2014)
Definitely my tempo. 

Pulp Fiction (1994)
A música que estava a tocar quando Mia e Victor estavam a jantar era Since I first met you dos The Robins. 



Assim muito por alto, estas são as minhas escolhas principais para ouvir! No Spotify, gosto muito de ouvir a playlist OST e Best of movie Soundtracks by GuiguiF (podem encontrar os links abaixo).
E vocês? Ouvem alguma banda sonora especial? Esqueci-me de mencionar alguma muito muito importante? 

https://open.spotify.com/user/1166888068/playlist/0lPTb2BLWD8Mkfhr4V9t3o?si=MmD4gZ1uQXadkSINhU1BBA

https://open.spotify.com/user/guiguif/playlist/1LvqYvWbQLx9PKShQNYb4w?si=l2fs3wQ4TCSd4hTxHK0ghQ

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Plan 9 from Outer Space vs. The Room

Qual é o pior filme de sempre?

The Room está novamente em alta depois de James Franco trazer The Disaster Artist para o cinema. Pareceu-me então pertinente tentar responder à pergunta "Qual é o pior filme de sempre?". E nada melhor do que uma breve análise pegando nos dois filmes que mais vezes levaram este rótulo: Plan 9 from Outer Space (1959), de Ed Wood e The Room (2003), de Tommy Wiseau.

Argumento

Plan 9 from Outer Space

Extraterrestres atacam o planeta Terra através do "Plano 9", que consiste em ressuscitar mortos transformando-os em zombis que posteriormente atacam os humanos.

The Room

Johnny vive com a sua noiva Lisa em São Francisco. Entediada com a vida que leva e querendo mais do que a vida economicamente confortável, Lisa trai Johnny com o seu melhor amigo, Mark.

Em Plan 9 temos um argumento claramente de série B. Ficção cientifica e fantasia, cliché, mas que desperta o mínimo interesse. Já The Room é um episódio de novela. Visto e revisto. Com cenas completamente inúteis e introduzidas no filme só porque sim (quando vão jogar para a rua, p.e.). Só de lembrar que o objectivo seria fazer algo parecido a Tennessee Williams...

Produção

Plan 9 from Outer Space


Cenários pobres e imagens de arquivo são o que saltam à vista neste filme. Os efeitos especiais também são muito pouco convincentes (mas não esquecer que estavam em 1959). Destaque positivo para a roupa e maquilhagem. 

The Room



Dizem que passaram dos 6 milhões. Para Hollywood não é um valor alto, mas é inadmissível esta qualidade de imagem. Até para o The Room. Bastava que não tivessem usado estas imagens na montagem. As cenas de sexo e a nudez são claramente para vender. Guarda-roupa e maquilhagem condizentes com a época (com a excepção de Tommy).

Actores

Plan 9 from Outer Space

As figuras que deviam ser temíveis simplesmente não são. Caem até no ridículo. As personagens que claramente são secundárias (coveiros, p.e.) também são muito fraquinhos. O restante elenco, longe de serem Brandos e Streeps, conseguem ser minimamente convincentes.

The Room

Destaque quase positivo para a sogra (que me lembra a Rosa Lobato de Faria em A Minha Sogra é um Bruxa). O restante elenco, com Wiseau à cabeça é demasiado mau para ser verdade. 

Realização

Plan 9 from Outer Space


O papel do realizador, para além de escolher enquadramentos, é dirigir actores. Neste capítulo, todas as cenas de luta foram dolorosas... Para o espectador. Intensidade zero. A tentativa de camuflar a ausência de Bela Lugosi também é falhada. Em algumas cenas nem tiveram o cuidado de pintar o cabelo de branco. 

The Room



Nada de alarmante, mas básico. Aquela cena de sexo com a água é a tradução de lame no audiovisual.

Fotografia

Plan 9 from Outer Space


Apontamentos interessantes com o fumo. O facto de ser a preto e branco protege-o bastante, mas longe de um Sunset Blvd. (1950).

The Room


Que luz azul e sombras tão naturais!



Com 16 pontos em 80 possíveis (20%), The Room é, para o Cinema Sem Lei, o PIOR FILME DE SEMPRE. 

The Room é tão mau que quase faz de Plan 9 from Outer Space um filme interessante. Em contrapartida e negando completamente o que acabei de dizer, se querem umas horas bem passadas, vejam o filme de Tommy Wiseau. De tão ridículo que é, ficamos completamente agarrados.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Review: The Disaster Artist (2017)

The Disaster Artist (2017)

Confesso que quando comecei a ouvir falar deste filme pensei que seria mais uma comédia com o único objectivo de gozar novamente com The Room (2003). Não, nada disso. The Disaster Artist dá-nos outra dimensão de Tommy Wiseau, uma figura maior do que o seu filme.

Se quisermos comparar podemos dizer que é um filme próximo ao Man on the Moon (1999), que retrata a vida de Andy Kaufman, um génio incompreendido. Não diria que Wiseau seja um génio, mas é mais do que The Room nos deu a conhecer. Sim, é um mau actor. Sim, é um mau realizador e produtor. Mas é muito mais do que aquela figura alucinada. The Disaster Artist é sobre um homem solitário e misterioso que ganhou uma obsessão com a primeira pessoa que lhe deu atenção. É também sobre sonhar e não desistir. Quase chega a ser comovente. Nunca pensei dizer isto sobre um filme do James Franco. Muito menos quando este é sobre um dos piores filmes já realizados.

Tudo isto é categoricamente mostrado por James Franco. Basta ver o The Room ou entrevistas com o Wiseau para perceber que Franco conseguiu transmitir toda a energia (ou falta dela) que Tommy possui. Não deverá chegar para o Oscar, mas também não ficaria chocado se fosse entregue a este. 

7/10

P.S.: Depois dos créditos finais ainda tem uma cena.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Review: The Florida Project (2017)

The Florida Project (2017)

The Florida Project é um retrato dos subúrbios americanos. Sean Baker, o mesmo realizador de Tangerine (2015) (o famoso filme que foi filmado com um iPhone 5) levou-nos novamente para o mundo que nos habituou. 

Moonee (Brooklynn Kimberly Prince), uma criança de seis anos, maria-rapaz e líder do seu grupo de amigos, vive com a mãe, Halley (Bria Vinaite), num motel. Não existem regras, as crianças brincam sozinhas na rua sem qualquer tipo de acompanhamento e a mãe consegue ser tão ou mais infantil do que a filha. Vivem uma semana de cada vez, sem projectos e responsabilidades. Todo o filme é tenso. As asneiras das crianças, as melhores amigas que se tornam inimigas ou a necessidade de arranjar dinheiro para não serem expulsas. Para contrastar com tudo isto, bem perto deste motel está a Disney World, o mundo da fantasia onde nada corre mal.

De salientar a excelente escolha de actores. Parabéns para Carmen Cuba, a directora de casting. É o primeiro filme de Bria que está muito convincente, mas é para Brooklynn (segundo filme) que vão todos os olhares. Este papel foi tão natural que não sei até que ponto algumas frases foram puro improviso. Escrito ou não, a pequena actriz deixou-me completamente rendido. Para combater este elenco desconhecido, Willem Dafoe surge como o gerente do motel. Percebe-se a escolha (actor famoso = mais público), mas acaba por ser um corpo estranho no meio daquele elenco. É como se eu quisesse fazer um filme com os meus amigos de infância e chamasse o Ivo Canelas para um papel secundário. Não tenho a mínima dúvida de que o Ivo desempenharia o papel muito bem, mas haveria sempre um "quê" de estranheza.

Deste vez não usaram um telemóvel para filmar, mas o estilo continua lá. Muita câmara à mão, que combina perfeitamente com o filme. No entanto há dois pontos que lamento:
- Não exploraram devidamente o contraste entre a Disney World e o motel;
- O final, que é compreensível, foge completamente ao estilo realista que o filme estava a ter até então. E não estou a falar do argumento, mas sim da maneira como foi editado.

Se são fãs de cinema independente aqui está um bom exemplo. Mas ainda não percebi se aquele final tem força para o tirar do meu top 3 de 2017.

7/10


Review: Get Out (2017)

Get Out (2017)

Get Out é o primeiro filme realizado por Jordan Peele, famoso por participar enquanto actor em comédias de qualidade duvidosa. É por isso de estranhar quando sabemos que um actor deste registo se estreia na realização com um filme de terror. Primeiro problema: o filme não é de terror. Sangue, duas ou três perseguições e jump scares não fazem de Get Out o que estavam a publicitar: "o filme de terror com melhor nota no Rotten Tomatoes" ou lá o que era.

Get Out é um thriller muito bem balanceado entre o suspense e a comédia. Não traz nada de novo a este género, mas engane-se quem pensa que digo isto como algo mau. Nota-se alguma inexperiência em certos enquadramentos e na direcção de actores. O início, com as letras azuis e imagens de florestas remetem para o The Shining (1980), mas as comparações ficam por aí. 

Apesar de previsível manteve-me interessado pelo desenrolar da acção. As actuações estão conseguidas, sem que ninguém se destaque particularmente. No fim fico com a sensação de dever cumprido e que não me importaria de o voltar a ver uns anos mais tarde.

6/10

Este 6 serve como incentivo. Quem nunca ouviu um: "dei-te um 4 para que no próximo período te esforces um bocadinho mais e consigas o 5"?


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Review: Mother! (2017)

Mother! (2017)

É uma homenagem ao Rosemary's Baby, com pitadas de Misery e um bocadinho da Bíblia? Qual é o objectivo deste filme?

Mother! é uma sucessão de coisas estranhas sem grande explicação. Se até meio reagimos com estranheza, com a expectativa de perceber tudo no fim, a meio percebemos que são apenas coisas a acontecer a grande velocidade, sem como nem porquê. A dada altura senti que estava a ver um filme para adolescentes, onde alguém organiza uma festa em casa dos pais e começam a partir tudo.

Ao contrário do que li na estreia do filme, não acho que as interpretações estejam tão más como descreveram. A Lawrence está um pão sem sal, mas faz parte da personagem.

Acabei o filme com uma única certeza: o jantar do Aronofsky, antes de escrever o guião, foi bifinhos com cogumelos. Tanto os cogumelos como as ervas aromáticas vinham em sacas plásticas com fecho zip.

Se este é o melhor de 2017, o que dizer de Dunkirk ou Three Billboards Outside Ebbing, Missouri.

5/10



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Review: Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017)


Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017)

Chegou a altura do ano em que vemos tudo o que está nomeado para os Golden Globes e, mais tarde, Oscars. Se o tédio matasse, há dois anos teria morrido três vezes ao escolher Joy como o primeiro filme desta lista. Por isso este ano decidi jogar pelo seguro e atribuir esta tarefa a Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. O nome do filme pode não ser catchy, mas foi o do realizador que me saltou à vista: Martin McDonagh, o Sting dos realizadores (vão pesquisar fotos do senhor). O mesmo autor de In Bruges (2008). Para quem viu este filme sabe o tipo de humor que está para vir.

McDonagh subiu um degrau neste filme. Conseguiu usar o mesmo humor sarcástico e muitas vezes duro, para contar um verdadeiro drama. Acompanhamos Mildred, a mãe de uma adolescente que foi morta e violada perto da sua casa. Para chamar a atenção das pessoas e autoridades que, na sua opinião, pararam de procurar o culpado, decide usar os três outdoors abandonados (onde a filha foi morta) para causar tal efeito.

Apesar deste pequena sinopse indicar um filme sombrio, os primeiros vinte a trinta minutos são quase exclusivamente dedicados ao humor. Personagens exageradas, situações forçadas... Mas nada disto é incomodativo. Enquando as camadas são reveladas percebemos que estamos perante uma grande obra que é muito mais do que aparenta. Criamos imediatamente uma ligação com Mildred, a mãe desesperada, até percebermos os problemas dos outros. Como diz uma das frases do filme: "O ódio nunca resolveu nada".

Uma vénia para Frances McDormand. Estes papéis caem-lhe que nem uma luva e neste caso é mesmo digna de Oscar. Sobre Woody Harrelson já pouco há a dizer e Sam Rockwell ganhou um fã.

Que bom que é ver um filme que quer ser isso mesmo: filme. Onde a criatividade é colocada em prática, conta-nos algo e entretém. Quero lá saber de como inventaram a mopa, esfregona ou lá o que era aquilo. Sim, David O. Russell, estou a falar contigo!

Resta-me agora seguir atentamente a carreira promissora de Martin McDonagh e pedir que para a próxima trabalhem num poster mais interessante.

8/10