Desta vez não há nenhum filme cuja língua seja a inglesa. Com isto quero apenas te lembrar que está na altura de experimentar a nouvelle vague, explorar o cinema asiático ou dar uma oportunidade ao neo-realismo italiano.
Tal como todas as listas, esta está incorrecta e inacabada. E eu agradeço que assim seja - é sinal que ainda tenho muito para ver.
A regra é sempre a mesma: Apenas partilho filmes que vi; por isso não estranhes a ausência do filme X ou Y. Não te garanto que vás gostar de todos os filmes (eu gosto!), mas é por isso mesmo que a lista é grande. Cabe a ti a tarefa de encontrares o teu estilo!
1941 é marcado por Citizen Kane. Eu diria até que o cinema é marcado por este filme. Mas esse ano tem mais filmes que merecem o seu destaque. Começamos com o filme noir, The Maltese Falcon, protagonizado por Humphrey Bogart. O vencedor de cinco Oscars, How Green Was My Valley, de John Ford. A sátira, Sullivan's Travels, que influenciou a carreira de, por exemplo, Billy Wilder. E finalizamos com Dumbo da Disney.
1959
Por onde começar? 1959 tem um épico, Ben-Hur. Billy Wilder realizou uma das suas melhores comédias, Some Like it Hot, com Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis. John Wayne protagoniza mais um western, Rio Bravo. James Stewart dá corpo ao advogado em Anatomy of a Murder. Cary Grant junta-se a Alfred Hitchcock para North by Northwest. E para finalizar, Ed Wood, o pior realizador de sempre, deu-nos Plan 9 from Outer Space.
1967
A transição para a nova década trouxe alguns filmes que não eram muito comuns para a época, mas que deixaram a sua marca no cinema. The Graduate, protagonizado por Dustin Hoffman é ainda hoje fonte de inspiração para alguns filmes românticos. Bonnie and Clydee Cool and Luke retratam na perfeição o mundo do crime e Sidney Poitier, o primeiro actor negro a receber um Oscar para Melhor Actor, protagonizou dois dos melhores filmes sobre racismo: Guess Who's Coming to Dinner e In the Heat of the Night.
A década de 70 foi de revolução em Hollywood. Os westerns perderam a sua força e as produções dos grandes estúdios não tinham o apoio financeiro que tiveram noutros tempos.
Começamos com o filme que arrecadou as cinco principais estatuetas douradas, One Flew Over the Cuckoo's Nest. Tim Curry protagoniza a comédia musical The Rocky Horror Picture Show. Steven Spielberg aterroriza os seus fãs quando realiza Jaws. Al Pacino continua a sua ascensão triunfante com Dog Day Afternoon. Já Stanley Kubrick deu-nos um filme com os mais bonitos efeitos visuais, Barry Lyndon.
O cinema também é feito de improviso. Algumas das falas ou cenas mais famosas da sétima arte surgiram do talento dos actores e de realizadores tolerantes. De realçar que Kubrick, famoso pelo seu perfeccionismo e exigência, aparece quatro vezes nesta lista.
Aqui ficam as minhas 15 cenas improvisadas preferidas:
15ª - "Warriors, come out to play" - The Warriors (1979) - Walter Hill
Um filme "cult" que apesar da fraca bilheteira influenciou uma geração e certamente inspirou jogos como Streets of Rage, tem uma cena improvisada e marcante da época.
A improvisação começa aos 2m19s.
14ª - A história que o Soldado Ryan conta ao Capitão Miller - Saving Private Ryan (1998) - Steven Spielberg
Toda a história contada por Matt Damon a Tom Hanks é improvisada pelo actor.
13ª - "You're gonna need a bigger boat" - Jaws (1975) - Steven Spielberg
Mais uma fala que não estava no guião e que fica para sempre na história do cinema.
12ª - Explosão - The Dark Knight (2008) - Christopher Nolan
A explosão estava no guião mas a actuação de Heath Ledger não. O actor devia seguir directamente para o autocarro. Em vez disso parou e foi, mais uma vez, um verdadeiro Joker.
Começa aos 0m49s.
11ª - Conversa improvisada - Good Will Hunting (1997) - Gus Van Sant
Quem mais? Quando Robin Williams não participa em filmes de qualidade duvidosa, é simplesmente genial. Mais uma vez se comprova o valor deste actor com o seu improviso mais conhecido.
10ª - "Mein Führer, I can walk!" - Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964) - Stanley Kubrick
Não bastava a Peter Sellers representar três personagens neste filme, como o acaba com um improviso que deixou Kubrick satisfeito, já que o final ainda não estava fechado.
Michael Madsen não recebeu indicações sobre o que fazer com a orelha. Toda a cena foi improvisada pelo actor.
8ª - "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship." - Casablanca (1942) - Michael Curtiz
"Of all the gin joints, in all the towns, in all the world, she walks into mine.", "Here's looking at you, kid.", "Play it, Sam. Play 'As Time Goes By'." Um filme marcante, cheio de frases simbólicas e que acaba com um improviso de Humphrey Bogart. O actor não queria acabar o filme em silêncio e "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship.".
A produção achou que não seria necessário fechar a rua para esta cena e como resultado quase ficou filmado o atropelamento de Dustin Hoffman. De parabenizar o actor que permaneceu na personagem e discutiu com o taxista (que tinha toda a razão).
6ª - "Shhhhhhhhh" - The Silence of the Lambs (1991) - Jonathan Demme
O som que ficou gravado na memória de muitas pessoas, depois de uma frase também ela marcante - "A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti." - é um improviso de Hopkins.
5ª - "Give me the fucking keys" - The Usual Suspects (1995) - Bryan Singer
Depois de um dia inteiro a tentar filmar esta cena, onde não conseguiam parar de rir, Bryan Singer desistiu e deixou que os actores improvisassem. Este é o maravilhoso resultado:
4ª - "Here's Johnny!" - The Shining (1980) - Stanley Kubrick Toda a gente conhece a frase mas poucos sabem que é um improviso e homenagem de Jack Nicholson ao apresentador do The Tonight Show, Johnny Carson.
3ª - "Singin' in the Rain" - A Clockwork Orange (1971) - Stanley Kubrick
Kubrick estava insatisfeito com este cena. Assim que Malcolm McDowell começou a cantar durante um dos takes, o realizador saiu a correr para comprar os direitos da música.
2ª - "You talkin' to me?" - Taxi Driver (1976) - Martin Scorsese
A frase mais famosa do filme icónico de Martin Scorsese é da autoria de Robert De Niro. No guião estava apenas escrito: "Travis fala para o espelho.".
1ª - Discurso - Full Metal Jacket (1987) - Stanley Kubrick
É o meu filme preferido de Kubrick e ainda gostei mais dele quando descobri que todo o discurso do Sargento Hartman, brilhantemente interpretado pelo actor Lee Ermey, é um improviso.
Em 1968, já consagrado internacionalmente, começa a preparar o seu projecto mais ambicioso, a trilogia "Era uma vez...": C'era una volta il West/Aconteceu no Oeste, eGiù la testa/Aguenta-te, Canalhasão os primeiros filmes da trilogia. Depois disso, Leone trabalhou durante 13 como produtor e finalmente, em 1984 lança no Festival de Cannes Once Upon a Time in America/Era uma vez na América, finalizando assim a segunda trilogia. Curiosamente este filme, o único que não é um western, é considerado por muitos críticos o melhor trabalho do realizador que ficou célebre por aquele estilo.
Once Upon a Time in America/Era uma vez na América foi o último filme do realizador que durante anos contrariou o cinema italiano, famoso pelos filmes satíricos de Federico Fellini.
Sergio Leone faleceu a 30 de Abril de 1989 e é hoje visto como um dos maiores realizadores de sempre, sendo inclusive uma referência para Quentin Tarantino ou Roberto Rodriguez.
Orson Welles foi o maior e mais sortudo dos azarados. Foi reconhecido tardiamente, não foi muito bem sucedido em bilheteiras e sofreu com a falta de liberdade criativa que os estúdios concediam. No entanto, e para contrastar todo este período que penalizou o cinema de Hollywood, também foi ele o homem que realizou, protagonizou, produziu e co-escreveu Citizen Kane (1941). De relembrar que apenas Charles Chaplin tinha tal poder e liberdade naquela altura. Qual terá sido a razão para a RKO Pictures abrir este precedente? Uma pergunta que até hoje não tem uma resposta concreta.
Nasceu a 6 de Maio de 1915 em Winsconsin, é filho de um abastado inventor e de uma pianista. Desde cedo mostrou dotes para as artes. Música, teatro, pintura, magia e literatura (principalmente obras de Shakespeare) fizeram com que fosse considerado uma criança prodígio.
Após a morte dos seus pais, e não querendo seguir os estudos no ensino superior, juntou-se ao grupo teatral Dublin’s Gate Players e foi assim, na Irlanda que começou oficialmente a sua carreira.
Algum tempo depois de iniciar a sua carreira no teatro, juntou-se a John Houseman para fundar o grupo Mercury Theatre. Começaram a actuar em várias radionovelas e os seus nomes começaram a circular. Orson Welles ganhou especial prestigio depois de um desempenho tremendo em A Guerra dos Mundos de H. G. Wells e Hollywood chamou por ele.
Foi dada ao jovem realizador total liberdade criativa e assim nasceu Citizen Kane (1941) um filme que hoje tem um estatuto único no mundo.
O filme inovou principalmente na narrativa (começa com a morte do protagonista), e no enquadramento (pela primeira vez foi mostrado o tecto do cenário). Como Scorsese descreveu "Orson Welles dançou com a câmara como ninguém tinha feito antes".
De relembrar que Welles tinha apenas 26 na altura.
Apesar deste sucesso inicial, Welles nunca mais foi contratado por nenhum grande estúdio. O realizador queria a liberdade que lhe foi oferecida anteriormente mas os estúdios não o permitiam. Um bom exemplo desta guerra constante é o filme Touch of Evil (1958):Depois de terminar as filmagens em 1957, o estúdio gravou cenas adicionais e editou à sua maneira. Ao ver o resultado, Welles reagiu com um memorando de 58 páginas, pedindo alterações à montagem.
Começou a ser esquecido e para dar um exemplo das condições precárias com que trabalhou, "Don Quijote de Orson Welles" demorou mais de dez anos para estar pronto e apenas uma cópia do filme foi lançada. Depois de anos a lutar contra os estúdios, veio para a Europa, aceitando voltar a Hollywood uns anos depois e trabalhando maioritariamente como actor.
A sua voz e presença, mesmo que em papeis mais pequenos, nunca passaram despercebidas do público. O seu último trabalho foi dobrar a voz do planeta Unicron para o filme The Transformers: The Movie (1986).
Faleceu a 10 de Outubro de 1985 de ataque cardíaco na sua casa na Califórnia.
Sou o Rúben, tenho 25 anos e escrevo sobre o que me apetece. Ando em cima do acontecimento, mas raramente escrevo sobre ele. Não sou politicamente correcto e estou completamente disponível para defender as minhas ideias.
Quero trabalhar em cinema ou televisão. Tive uma excelente experiência na Academia RTP e o curso de cinema na UBI.