segunda-feira, 2 de junho de 2014

10 melhores anos do cinema americano

1939



1939 deu-nos dois dos maiores clássicos de Hollywood: The Wizard of Oz e Gone with the Wind. Em Mr. Smith Goes to Washington, Jimmy Stewart desempenha o seu primeiro grande papel enquanto Laurence Olivier brilha em Wuthering Heights
Também é neste ano que se adaptam algumas obras literárias famosas como The Adventures of Sherlock Holmes ou The Hunchback of Notre Dame

1941


1941 é marcado por Citizen Kane. Eu diria até que o cinema é marcado por este filme. Mas esse ano tem mais filmes que merecem o seu destaque. Começamos com o filme noir, The Maltese Falcon, protagonizado por Humphrey Bogart. O vencedor de cinco Oscars, How Green Was My Valley, de John Ford. A sátira, Sullivan's Travels, que influenciou a carreira de, por exemplo, Billy Wilder. E finalizamos com Dumbo da Disney.

1959


Por onde começar? 1959 tem um épico, Ben-Hur. Billy Wilder realizou uma das suas melhores comédias, Some Like it Hot, com Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis. John Wayne protagoniza mais um western, Rio Bravo. James Stewart dá corpo ao advogado em Anatomy of a Murder. Cary Grant junta-se a Alfred Hitchcock para North by Northwest. E para finalizar, Ed Wood, o pior realizador de sempre, deu-nos Plan 9 from Outer Space

1967


A transição para a nova década trouxe alguns filmes que não eram muito comuns para a época, mas que deixaram a sua marca no cinema. The Graduate, protagonizado por Dustin Hoffman é ainda hoje fonte de inspiração para alguns filmes românticos. Bonnie and Clyde Cool and Luke retratam na perfeição o mundo do crime e Sidney Poitier, o primeiro actor negro a receber um Oscar para Melhor Actor, protagonizou dois dos melhores filmes sobre racismo: Guess Who's Coming to Dinner e In the Heat of the Night.

1969


1969 conta com quatro filmes na AFI’s top 100 American Films List: Midnight Cowboy, Easy RiderThe Wild Bunch e Butch Cassidy and the Sundance Kid

1971


A década de 70 foi de revolução em Hollywood. Os westerns perderam a sua força e as produções dos grandes estúdios não tinham o apoio financeiro que tiveram noutros tempos. 
Kubrick crescia a cada filme que fazia e era dono do seu destino. Em 1971 realizou um dos seus filmes mais icónicos, A Clockword Orange. William Friedkin dá a Gene Hackman um dos seus papéis mais famosos em The French Connection. Clint Eastwood começa mais uma saga de filmes, desta vez como Harry Callahan em Dirty Harry. Outros filmes como Willy Wonka & the Chocolate FactoryThe Last Picture Show ou Straw Dogs também chegam ao cinema nesse ano.

1975


Começamos com o filme que arrecadou as cinco principais estatuetas douradas, One Flew Over the Cuckoo's Nest. Tim Curry protagoniza a comédia musical The Rocky Horror Picture Show. Steven Spielberg aterroriza os seus fãs quando realiza Jaws. Al Pacino continua a sua ascensão triunfante com Dog Day Afternoon. Já Stanley Kubrick deu-nos um filme com os mais bonitos efeitos visuais, Barry Lyndon

1984


80's Cheese. Esta década não chega a ter uma definição. Foi talvez uma época de experiências, muitas delas más, e que em 1984 nos deu uma mão cheia de filmes que ficaram marcados na infância de alguns dos nossos seguidores. Ghost BustersThe TerminatorThe Karate KidGremlinsA Nightmare on Elm StreetIndiana Jones and the Temple of DoomFootloose, ou Police Academy

1994


The Shawshank Redemption, o filme nº1 no IMDb, Pulp FictionForrest Gump ou O Rei Leão fazem parte dos filmes estreados em 1994. Já Jim Carrey, que estava no auge da sua carreira, no mesmo ano protagonizou: Ace Aventura: Pet DetectiveThe Mask e Dumb & Dumber

1999


1999 está repleto de bons filmes de que toda a gente ouviu falar: American BeautyBeing John MalkovichEyed Wide ShutFight ClubThe Green MileMagnoliaThe Blair Witch ProjectThe MatrixThe Sixth Sense ou ainda Toy Story 2


Fonte: Taste of Cinema, IMDb


quinta-feira, 8 de maio de 2014

15 grandes improvisos do cinema

O cinema também é feito de improviso. Algumas das falas ou cenas mais famosas da sétima arte surgiram do talento dos actores e de realizadores tolerantes.
De realçar que Kubrick, famoso pelo seu perfeccionismo e exigência, aparece quatro vezes nesta lista.
Aqui ficam as minhas 15 cenas improvisadas preferidas:


15ª - "Warriors, come out to play" - The Warriors (1979) - Walter Hill

Um filme "cult" que apesar da fraca bilheteira influenciou uma geração e certamente inspirou jogos como Streets of Rage, tem uma cena improvisada e marcante da época.

A improvisação começa aos 2m19s.


14ª - A história que o Soldado Ryan conta ao Capitão Miller - Saving Private Ryan (1998) - Steven Spielberg

Toda a história contada por Matt Damon a Tom Hanks é improvisada pelo actor. 


13ª - "You're gonna need a bigger boat" - Jaws (1975) - Steven Spielberg

Mais uma fala que não estava no guião e que fica para sempre na história do cinema.




12ª - Explosão - The Dark Knight (2008) - Christopher Nolan

A explosão estava no guião mas a actuação de Heath Ledger não. O actor devia seguir directamente para o autocarro. Em vez disso parou e foi, mais uma vez, um verdadeiro Joker.

Começa aos 0m49s.


11ª - Conversa improvisada - Good Will Hunting (1997) - Gus Van Sant

Quem mais? Quando Robin Williams não participa em filmes de qualidade duvidosa, é simplesmente genial. Mais uma vez se comprova o valor deste actor com o seu improviso mais conhecido.



10ª - "Mein Führer, I can walk!" - Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964) - Stanley Kubrick

Não bastava a Peter Sellers representar três personagens neste filme, como o acaba com um improviso que deixou Kubrick satisfeito, já que o final ainda não estava fechado.


9ª - A orelha - Reservoir Dogs (1992) - Quentin Tarantino

Michael Madsen não recebeu indicações sobre o que fazer com a orelha. Toda a cena foi improvisada pelo actor.





8ª - "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship." - Casablanca (1942) - Michael Curtiz

"Of all the gin joints, in all the towns, in all the world, she walks into mine.", "Here's looking at you, kid.", "Play it, Sam. Play 'As Time Goes By'." Um filme marcante, cheio de frases simbólicas e que acaba com um improviso de Humphrey Bogart. O actor não queria acabar o filme em silêncio e "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship.".


7ª - "I'm walkin' here." - Midnight Cowboy (1969) - John Schlesinger

A produção achou que não seria necessário fechar a rua para esta cena e como resultado quase ficou filmado o atropelamento de Dustin Hoffman. De parabenizar o actor que permaneceu na personagem e discutiu com o taxista (que tinha toda a razão).


6ª - "Shhhhhhhhh" - The Silence of the Lambs (1991) - Jonathan Demme

O som que ficou gravado na memória de muitas pessoas, depois de uma frase também ela marcante - "A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti." - é um improviso de Hopkins.




5ª - "Give me the fucking keys" - The Usual Suspects (1995) - Bryan Singer

Depois de um dia inteiro a tentar filmar esta cena, onde não conseguiam parar de rir, Bryan Singer desistiu e deixou que os actores improvisassem. Este é o maravilhoso resultado:


4ª - "Here's Johnny!" - The Shining (1980) - Stanley Kubrick

Toda a gente conhece a frase mas poucos sabem que é um improviso e homenagem de Jack Nicholson ao apresentador do The Tonight Show, Johnny Carson.



3ª - "Singin' in the Rain" - A Clockwork Orange (1971) - Stanley Kubrick

Kubrick estava insatisfeito com este cena. Assim que Malcolm McDowell começou a cantar durante um dos takes, o realizador saiu a correr para comprar os direitos da música.


2ª - "You talkin' to me?" - Taxi Driver (1976) - Martin Scorsese

A frase mais famosa do filme icónico de Martin Scorsese é da autoria de Robert De Niro. No guião estava apenas escrito: "Travis fala para o espelho.".




1ª - Discurso - Full Metal Jacket (1987) - Stanley Kubrick

É o meu filme preferido de Kubrick e ainda gostei mais dele quando descobri que todo o discurso do Sargento Hartman, brilhantemente interpretado pelo actor  Lee Ermey, é um improviso.




















terça-feira, 8 de abril de 2014

Sergio Leone


Sergio Leone foi um realizador italiano com pouca, mas marcante obra, deixando o seu nome gravado para sempre através do western spaghetti.

Nasceu em 1929 e é filho de Vicenzo Leone a.k.a. Roberto Roberti, um dos primeiros realizadores italianos, e de Bice Valerian, uma estrela do cinema mudo. 
Sendo criado no cinema, desde cedo se interessou por esta arte. Com 18 anos era assistente de realização de Vittorio De SicaLuigi Comencini e Mervyn LeRoy.
Assim continuou a sua carreira, fazendo parte de algumas equipas técnicas de renome, tendo inclusive feito parte de Ben-Hur (1959)

Em 1960 Leone arrisca pela primeira vez na realização com Il colosso di Rodi, mas é apenas em 1964, aos 35 anos, que alcança o sucesso ao adaptar Yojimbo, um filme de Akira Kurosawa, para um western. É desta forma que nasce Per un pugno di dollari/Por um punhado de dólares, o primeiro da trilogia dos dólares, estrelado pelo até então pouco conhecido Clint Eastwood.

Estava pela primeira vez reunida uma das melhores equipas do cinema: Sergio Leone, Clint Eastwood e o compositor Ennio Morricone, que continuariam a trabalhar juntos em Por qualche dollaro in più/Por mais alguns dólares e Il buono, il brutto, il cattivo/O bom, o mau e o vilão.


Em 1968, já consagrado internacionalmente, começa a preparar o seu projecto mais ambicioso, a trilogia "Era uma vez...": C'era una volta il West/Aconteceu no Oeste, e Giù la testa/Aguenta-te, Canalha são os primeiros filmes da trilogia. Depois disso, Leone trabalhou durante 13 como produtor e finalmente, em 1984 lança no Festival de Cannes Once Upon a Time in America/Era uma vez na América, finalizando assim a segunda trilogia. Curiosamente este filme, o único que não é um western, é considerado por muitos críticos o melhor trabalho do realizador que ficou célebre por aquele estilo.



Once Upon a Time in America/Era uma vez na América foi o último filme do realizador que durante anos contrariou o cinema italiano, famoso pelos filmes satíricos de Federico Fellini

Sergio Leone faleceu a 30 de Abril de 1989 e é hoje visto como um dos maiores realizadores de sempre, sendo inclusive uma referência para Quentin Tarantino ou Roberto Rodriguez.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Orson Welles



Orson Welles foi o maior e mais sortudo dos azarados. Foi reconhecido tardiamente, não foi muito bem sucedido em bilheteiras e sofreu com a falta de liberdade criativa que os estúdios concediam. No entanto, e para contrastar todo este período que penalizou o cinema de Hollywood, também foi ele o homem que realizou, protagonizou, produziu e co-escreveu Citizen Kane (1941). De relembrar que apenas Charles Chaplin tinha tal poder e liberdade naquela altura. Qual terá sido a razão para a RKO Pictures abrir este precedente? Uma pergunta que até hoje não tem uma resposta concreta.

Nasceu a 6 de Maio de 1915 em Winsconsin, é filho de um abastado inventor e de uma pianista. Desde cedo mostrou dotes para as artes. Música, teatro, pintura, magia e literatura (principalmente obras de Shakespeare) fizeram com que fosse considerado uma criança prodígio.
Após a morte dos seus pais, e não querendo seguir os estudos no ensino superior, juntou-se ao grupo teatral Dublin’s Gate Players e foi assim, na Irlanda que começou oficialmente a sua carreira.

Algum tempo depois de iniciar a sua carreira no teatro, juntou-se a John Houseman para fundar o grupo Mercury Theatre. Começaram a actuar em várias radionovelas e os seus nomes começaram a circular. Orson Welles ganhou especial prestigio depois de um desempenho tremendo em A Guerra dos Mundos de H. G. Wells e Hollywood chamou por ele.

Foi dada ao jovem realizador total liberdade criativa e assim nasceu Citizen Kane (1941) um filme que hoje tem um estatuto único no mundo.
Se olharmos para os grandes nomes da época como Victor Fleming (Gone with the Wind 1939) ou Michael Curtiz (Casablanca 1942), percebemos porque razão Orson Welles se superiorizou e é hoje visto como um cineasta maior. 

O filme inovou principalmente na narrativa (começa com a morte do protagonista), e no enquadramento (pela primeira vez foi mostrado o tecto do cenário). Como Scorsese descreveu "Orson Welles dançou com a câmara como ninguém tinha feito antes".
De relembrar que Welles tinha apenas 26 na altura.


Apesar deste sucesso inicial, Welles nunca mais foi contratado por nenhum grande estúdio. O realizador queria a liberdade que lhe foi oferecida anteriormente mas os estúdios não o permitiam. Um bom exemplo desta guerra constante é o filme Touch of Evil (1958): Depois de terminar as filmagens em 1957, o estúdio gravou cenas adicionais e editou à sua maneira. Ao ver o resultado, Welles reagiu com um memorando de 58 páginas, pedindo alterações à montagem.

Apesar de tudo isto a maioria dos seus filmes, mesmo que filmados por estúdios menores, têm  hoje o reconhecimento do público. The Magnificent Ambersons (1942)The Stranger (1946)The Lady from Shanghai (1947), (filme noir protagonizado por Welles e pela sua esposa Rita Hayworth) ou Mr. Arkadin (1955) são algumas das sugestões do Cinema Sem Lei.

Começou a ser esquecido e para dar um exemplo das condições precárias com que trabalhou, "Don Quijote de Orson Welles" demorou mais de dez anos para estar pronto e apenas uma cópia do filme foi lançada. Depois de anos a lutar contra os estúdios, veio para a Europa, aceitando voltar a Hollywood uns anos depois e trabalhando maioritariamente como actor. 
A sua voz e presença, mesmo que em papeis mais pequenos, nunca passaram despercebidas do público. O seu último trabalho foi dobrar a voz do planeta Unicron para o filme The Transformers: The Movie (1986). 

Faleceu a 10 de Outubro de 1985 de ataque cardíaco na sua casa na Califórnia.




terça-feira, 25 de março de 2014

Nouvelle Vague

O que foi a Nouvelle Vague?

Foi um novo movimento artístico que nasceu em 1958 na França. O nome foi lançado por Françoise Giroud e surgiu como uma reacção contrária às notáveis produções encomendadas pelos grandes estúdios.
A revista Cahiers du cinéma (“cadernos de cinema”) - considerada a bíblia da crítica à sétima arte - inspirou jovens críticos que depois de alguns anos a esmiuçar o cinema de Hollywood, decidiram pôr mãos à obra e criar os seus próprios estilos. Em comum tinham o desejo da autonomia criativa, retratando questões pessoais e quotidianas, fazendo assim deste movimento uma resposta mais pessoal e barata - o chamado "cinema de autor".


Características:

- Produções baratas (muitas vezes financiadas pelos próprios realizadores);
- Actores pouco conhecidos;
- Filmagens na rua;
- Rompimento da narrativa linear tradicional (idas e vindas no tempo);
- Liberdade estética (cortes repentinos e câmara em qualquer ângulo ou posição);
- Temas quotidianos e tabus;
- Personagens à margem da sociedade (criminosos, adúlteros, rebeldes...).


Grandes Nomes:

O Veterano Jean-Luc Godard

O mais inovador e produtivo deste movimento, mas também acusado como um dos responsáveis pelo seu fim, após um desentendimento com o seu grande amigo François Truffaut.

É ainda hoje considerado o maior mito vivo do cinema francês. Continua a trabalhar e a sua última obra é "Adieu au langage" (2013).

Principais filmes:

À bout de souffle (1960), Une femme est une femme (1961) Vivre sa vie: Film en douze tableaux (1962), Pierrot le fou (1965) e Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution (1965).





Ao lado de Godard foi o principal nome da Nouvelle Vague. Teve uma infância conturbada e na adolescência foi acolhido por André Bazin, renomado e influente critico de cinema e editor-chefe da Cahiers du Cinéma.

Aos 25 anos, Truffaut já tinha visto mais de 3 mil filmes e a sua primeira longa metragem "Les quatre cents coups" (1959) venceu o Festival de Cannes.

Principais Filmes:

Les quatre cents coupe (1959), Tirez sur le pianiste (1960), Jules et Jim (1962), L'enfant sauvage (1970) e L'homme qui aimait les femmes (1977).




O Substituto Eric Rohmer

Após a morte de André Bazin - que morreu jovem aos 40 anos - Eric Rohmer foi o primeiro dos jovens críticos a tornar-se director editorial do "Cahiers du Cinéma" em 1958.

É o típico caso do sucesso após anos de trabalho. Durante o auge da Nouvelle Vague, Rohmer não era apreciado, mas a década de 70 trouxe justiça e reconhecimento e hoje em dia Eric é um dos membros mais apreciados.

Principais Filmes:

Le signe du lion (1959), La collectionneuse (1967), Ma nuit chez Maud (1969), Le genou de Claire (1970) e Pauline à la plage (1983).



O Polémico Jacques Rivette

Foi com a adaptação de uma peça de Diderot - La religieuse - que chegou ao sucesso.
A história de uma jovem freira perseguida pelas suas superiores foi considerado um tema chocante para a França, mas ajudou a quebrar alguns tabus da época. O filme foi tão irreverente, que chegou a ser proibido e diversos países.

Com o fim do movimento, Rivette migrou para a TV.

Principais Filmes:

La religieuse (1966), L'amour fou (1969), Céline et Julie vont en bateau - Phantom Ladies Over Paris (1974), La bande des quatre (1989) La belle noiseuse (1991).


O Pioneiro Claude Chabrol

Graças a uma herança, Chabrol foi o primeiro do grupo a conseguir rodar um filme, em 1958. 
Os seus primeiros trabalhos têm um tom sóbrio e de suspense e chegou a suspender a sua carreira nos anos 60.

Com as revoltas estudantis de 68, o realizador ganhou novo fôlego e regressou em grande com alguns dos seus maiores sucessos.

Principais Filmes:

 Le beau Serge (1958), La femme infidèle (1969), Que la bête meure (1969), Le boucher (1970) e Une affaire de femmes (1988).




O Legado

A geração de 60 e 70 consolidou o cinema independente americano graças à Nouvelle Vague. Realizadores como Martin Scorsese, Francis Ford Copolla ou George Lucas, pegaram na ideia "uma câmara na mão, uma ideia na cabeça" e são hoje alguns dos melhores exemplos da influencia deste movimento.
Também Quentin Tarantino é um apreciador do Nouvelle Vague. O nome da sua produtora, "A Band Apart" é retirado de um filme de Godard e alguns dos diálogos do filme "Pulp Fiction" são inspirados no filme À bout de souffle (1960), também ele de Jean-Luc Godard.



Fontes: Mundo Estranho, Wikipédia

segunda-feira, 17 de março de 2014

Cinema Sem Lei - CIRCUS Magazine

Em Fevereiro fui convidado a escrever duas páginas sobre o Cinema Sem Lei para a revista CIRCUS.
Mais do que publicitar a página, procurei partilhar a minha experiência e com isso incentivar pessoas a criar novos projectos. Experimentem. Façam-se à vida! Nunca se sabe quando é que a CIRCUS vos bate à porta.
Para ficares a conhecer melhor esta revista que promove novos projectos, vai aqui: CIRCUS





domingo, 9 de fevereiro de 2014

8 fórmulas/motivos que fizeram de Alfred Hitchcock o mestre do suspense

Toda a gente conhece Hitchcock. Mesma para quem nunca viu um filme dele (grande erro vosso), a imagem de uma mulher a gritar numa banheira é clássica.
Hitchcock foi um dos primeiros realizadores a explorar a sua própria imagem. "Alfred Hitchcock Presents" é um clássico dentro dos próprios clássicos. O mestre do suspense também celebrizou as cameo appearance - quando um membro da equipa aparece por breves momentos no filme podendo ou não ter um papel relevante para a trama. Não satisfeito ainda começou a fazer umas intervenções antes do inicio dos filmes a explicar as motivações para o ter feito ou usando metáforas entre o filme e a realidade que o rodeava.
Hoje apresento-vos marcos na carreira deste realizador, um dos melhores de sempre.



1 - Inovação

Quando grandes estrelas protagonizam um filme não estamos à espera que morram. Mas se morrerem, o esperado é que seja já no final e provavelmente com uma morte gloriosa e emocional.  
Hitchcock não só quebrou esse método como realizou uma das cenas mais memoráveis da história do cinema. Em Psycho (1960) o cineasta matou a sua protagonista (Janet Leigh) aos 46 minutos de filme. 

2 - Nós sabemos

Nós somos cúmplices do realizador. Em vários filmes Hitchcock apresenta-nos informações preciosas que a personagem não sabe e que provavelmente põe em risco a sua vida se não descobrir a tempo. Em Sabotage (1936) um menino carrega, sem saber, um pacote com uma bomba-relógio. Por várias razões atrasa-se na entrega e é isso que deixa o público em completo suspense. Será que conseguiu entregar a tempo?


3 - Trauma de infância

No livro Hitchcock/Truffaut, o realizador revela que quando era apenas um miúdo o pai pediu-lhe para ir à esquadra da polícia entregar um papel. Nesse papel estava escrito que fosse trancado numa cela e que o policia lhe dissesse "Isto é o que acontece com meninos desobedientes". O cineasta disse que nunca teve tanto medo na sua vida como naquele momento, mas ao mesmo tempo incutiu-lhe o desejo de ter o mesmo efeito em outras pessoas.
Um exemplo deste trauma é demonstrado no filme The Wrong Man (1956) onde pessoas são acusadas injustamente por um crime que não cometeram.


4 - Silêncio

A maioria das pessoas não sabe, mas Hitchcock começou a trabalhar para o cinema criando legendas que simulavam os diálogos em filmes mudos. Foi assim que aprendeu a causar emoção ao público mesmo sem diálogo, usando enquadramentos e cortes precisos. Rope (1948) é um excelente exemplo já que é cheio de cenas contínuas e de cortes disfarçados.


5 - O objecto insignificante

O "MacGuffin". É assim designado ainda hoje o objecto comum que serve apenas para dar um objectivo ao protagonista e gerar suspense, mas que acaba por perder a importância e até fica esquecido com o desenrolar do filme. O site por onde me estou a basear dá o exemplo de um microfone secreto que causa a perseguição em North by Northwest (1959). Confesso que ainda não vi o filme, por isso dou o exemplo de Pulp Fiction (1994). Estão a ver a mala que o Vincent e o Jules vão buscar? É grande "MacGuffin"!


6 - Voyeurismo

Sem a conotação sexual que a palavra tem, o realizador aproveitou várias vezes a ideia de alguém estar a observar situações intimas ou de sofrimento. É de resto o elemento principal para o filme Rear Window (1954) onde o protagonista observa a vida dos seus vizinhos através da sua casa. Em outros filmes o cineasta também fez com o que público visse inúmeras cenas através do ponto de vista do vilão.


7 - Loiras

Kim Novak, Grace Kelly, Janet Leigh, Vera Miles, Tippi Hedren... Hitchcock tinha uma obsessão por actrizes loiras e numa época em que as loiras eram o grande símbolo sexual, o realizador juntou o útil ao agradável fazendo destas mulheres as suas protagonistas. 
Tippi Hedren, protagonista de The Birds (1963) chegou a acusá-lo de assédio sexual, mas esse lado do realizador nunca chegou a ser provado.


8 - Mulheres

Num discurso de agradecimento o realizador fez questão de agradecer às quatro mulheres da sua vida: "Uma é guionista, outra é editora, outra é a mãe da minha filha e a última é a melhor cozinheira que já existiu.". Todas estas mulheres têm apenas um nome, Alma Reville. A sua amada esposa que consertava erros de edição e continuidade e ainda foi guionista em filmes como Shadow of a Doubt (1943).


Fontes: http://mundoestranho.abril.com.br/ e Hitchcock/Truffaut